31 de julho de 2012

RISCO DE INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NA CLÍNICA MÉDICA DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. COMBINAÇÕES DE USO DE DIGITÁLICOS E OUTROS MEDICAMENTOS


RISCO DE INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NA CLÍNICA MÉDICA DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO.   COMBINAÇÕES   DE  USO  DE DIGITÁLICOS  E  OUTROS  MEDICAMENTOS

GILBERTO BARCELOS SOUZA(1), JOÃO LUIZ DE AZEVEDO(1), ALEXANDRE FIUZA JULIANO(1), VALMIR NELSON MOREIRA(1), KARLA MANHÃES PESSANHA(2), JÚLIO FERNANDO CASCARDI DE BARROS(2), IVO FERNANDES DE ARAÚJO(2), LILIA RIBEIRO GUERRA(3), JOANA MARCHITO DE JESUS(4), ALINE RODRIGUES DOS SANTOS(4), MANUELA DE FIGUEIREDO PINTO PEDROZA CALDAS(4), ROBSON RANGEL (5)

(1) Serviço de Farmácia. Hospital Universitário Antonio Pedro. Universidade Federal Fluminense. Niterói. RJ     (2) Departamento de Farmácia e Administração Farmacêutica. Faculdade de Farmácia. Universidade Federal Fluminense. Niterói. RJ (3) Gerência de Risco Sanitário. Projeto Hospitais Sentinela ANVISA. Hospital Universitário Antonio Pedro. Universidade Federal Fluminense. Niterói. RJ (4) Faculdade de Farmácia. Universidade Plínio Leite. Niterói. RJ (5) Serviço de Farmácia. Hospital Barra D’Or. Rio de Janeiro. RJ

E-mail do autor correspondente: gilberto@manipulacao.net

A consulta de interações medicamentosas é uma tarefa que pode consumir um tempo considerável do profissional farmacêutico no seu trabalho diário dentro da farmácia hospitalar. A associação com fins terapêuticos é um princípio tão antigo como a farmácia, e tem sido a base da farmacoterapia durante mais de dois mil anos. Uma interação medicamentosa é qualquer alteração da resposta previsível à ação de um fármaco, e que seja consequência da ação concorrente no organismo de outra substância química não produzida pelo organismo. A importância clínica das interações medicamentosas dentro da realidade terapêutica tem sido discutida, sendo que somente uma de cada cinco interações medicamentosas são observados sintomas clínicos. Existe uma série de fatores que limitam a observação de uma interação a nível clínico. A maior parte das interações são muito difíceis de observar, e passam despercebidas ou confundidas como um efeito secundário de alguns dos medicamentos utilizados ou como um sintoma a mais das enfermidades tratadas no paciente. Outro fator é o tempo para que uma interação se manifeste, podendo levar até 21 dias para se manifestar em termos clínicos, ou até mesmo uma interação conhecida pode ser empregada com fins terapêuticos. A mais frequente combinação descrita foi a de digoxina com diversos diuréticos. Estudos realizados mostram que digitálicos e diuréticos foram os mais prescritos, dentro das observadas, sendo que até 10% destas interações medicamentosas relatadas são suscetíveis de provocar efeitos graves no paciente. Os diuréticos, associados aos digitálicos, são drogas utilizadas no tratamento da insuficiência cardíaca. Os diuréticos aumentam a possibilidade de intoxicação digitálica através de distúrbios eletrolíticos como hipocalemia, hipomagnesia. A hipocalemia induzida pela furosemida aumenta a sensibilidade ao digitálico, predispondo a intoxicação digitálica e a toxicidade da digoxina pode precipitar arritmias. O objetivo do trabalho foi verificar a interação medicamentosa entre a digoxina-furosemida, digoxina-espironolactona, digoxina-captopril, digoxina-hidroclorotiazida em um hospital universitário. Prescrições de todos os pacientes internados na clínica médica, cardiologia, gastroenterologia, pneumologia, dermatologia, neurologia e hematologia de um hospital universitário, no período de agosto a dezembro de 2004 foram revisadas. Foi realizada busca manual de todos os prontuários dos pacientes internados nas respectivas enfermarias citadas acima. Foram identificados os pacientes que utilizaram a combinação digoxina-furosemida, digoxina-espironolactona, digoxina-captopril, digoxina-hidroclorotiazida. Dos 852 pacientes internados, durante o período do estudo, 100% dos pacientes internados na cardiologia, apresentavam riscos de interação medicamentosa digitálica; 100% dos pacientes internados que fizeram uso da associação digoxina-furosemida, apresentavam riscos de outras interações medicamentosas também relacionadas: digoxina-verapamil, digoxina-telmisartan, digoxina-rifampicina, digoxina-quinidina, digoxina-omeprazol, digoxina-claritromicina, digoxina-metoclopramida, digoxina-nifedipina, digoxina-amiodarona, digoxina-captopril, digoxina-hidroclorotiazida, digoxina-espironolactona; 852 ou 100% dos pacientes internados não receberam suplementos de potássio; 27 ou uma taxa de 3,17% de pacientes com possíveis relatos de interações medicamentosas para DIGOXINA-FUROSEMIDA; 29 ou uma taxa de 3,4% de pacientes com possibilidade de interações medicamentosas para digoxina-espironolactona; 20 ou uma taxa de 2,34% de pacientes com relatos de interações medicamentosas para digoxina-captopril; 6 ou uma taxa de 0,7% de pacientes com possíveis interações medicamentosas para digoxina-hidroclorotiazida. O elevado número de medicamentos que recebem a maioria dos pacientes durante sua internação, é um fator que contribui para a necessidade de se estabelecer projetos informatizados para a detecção de interações medicamentosas, para a implantação de projetos de atenção farmacêutica em pacientes hospitalizados, e contribuir para o desenvolvimento de projetos em farmácia clínica e em farmacovigilância.

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